Eu sou um grande fã de Edgar Wright. Scott Pilgrim Vs The World, Todo Mundo Quase Morto e Chumbo Grosso são filmes marcantes que influenciaram muito a forma como eu vejo e entendo cinema hoje em dia. Assim, quando soube que o Diretor inglês havia dirigido um novo filme, confesso que botei as expectativas lá no alto. O domínio da comédia visual, o controle da edição e a musicalidade são marcas registradas do Diretor, então eu esperava algo que trabalhasse diretamente com essas características no novo filme. Menino, eu tava certo.

Um filme, falando de maneira redundante e piegas, é uma experiência audiovisual. A parte interessante é que a gente costuma focar demais na parte VISUAL do rolê e esquecer de que parte fundamental da imersão numa história é a possibilidade de se envolver nos ambiente sonoros que ela proporciona. É difícil imaginar o que seria Star Wars sem o acompanhamento sinfônico de John Williams ou como seria fraco o terror e o suspense do Babadook sem seu ruído característico enchendo nossos ouvidos. Assim, quando um filme decide apostar sua ficha na sincronia entre imagem e som – às vezes na tensão entre ambas – vale a pena parar um pouco e prestar atenção.

A história do filmes não é nada muito complicado. Baby(Ansel Elgort) é o piloto de fugas dos grandes assaltos planejados por Doc(Kevin Spacey). Ele está sempre ouvindo algo em seu Ipod, uma forma de combater o zunido em seus ouvidos, fruto do acidente de carro que matou seus pais. Criado por um carinhoso pai surdo mudo(CJ Jones), Baby vive num mundo de comunicação pós verbal, guiado por gestos, ritmos e melodias com as quais ele constrói um escudo entre seus pensamentos e a realidade de crimes em que é obrigado a viver por um erro do seu passado.

Como vocês podem ver, a proposta é simples. O que faz desse filme uma verdadeira viagem cinematográfica é como ele consegue criar novos contextos a partir da relação entre som e imagem. Edgar Wright, além de dirigir longas metragens, dirigiu alguns videoclipes. É dessa trajetória que ele tira a construção de cena em que o ritmo da música conversa não somente com as ações vistas na tela, mas também com a própria edição do filme.

É como se no mundo de Baby as coisas realmente acontecessem a partir do ritmo das músicas em seus ouvidos. Talvez isso explique seus reflexos rápidos e a capacidade de concentração, porque ele responde ao mundo no seu próprio ritmo casado com a melodia de grandes canções.

A ideia do mundo musical de Baby é concretizada não só nas fugas, mas também num charmoso plano sequência em que ele vai comprar café para os comparsas, e a própria cidade  se junta no ritmo e na letra da música (pra entender o que eu estou dizendo você vai ter que ver o filme).

Na verdade, é interessante perceber como esse mundo musical do motorista se transforma  tanto em seu escudo contra problemas interiores, como o trauma da morte da mãe, como com os problemas exteriores, uma vez que funciona com um limitador da conexão entre ele os criminosos comuns.

Mas esse não é o único lado da questão. É através da música que ele consegue se conectar e conhecer Debora(Lily James), a garota por quem rapidamente se apaixona. A partir do gosto musical em comum, e uma curiosa conversa sobre nomes e músicas – num diálogo que Zack Snyder provavelmente  aprovaria –  os dois começam a penetrar devagar no mundo um do outro.

Por fim é interessante perceber que o filme brinca bastante com o clichê do “moleque que nunca tira os fones de ouvido”, a personificação do pessoal mais velho de que nossa geração “não se importa”. Os colegas de Baby estão sempre questionando sua seriedade por conta de estar ouvindo música, ao que ele responde com excelência ao volante.

A  história é interessante, o filme tem um colorido particular e as músicas são estelares. Você não precisa de mais para ir ao cinema. Vá ver e me conte como foi!

Baby Driver (Em Ritmo de Fuga) – Trailer Legendado

Baby Driver: Velozes e Musicais
A novidade do filme e seu frescor me contagiaram, como se Edgar Wright tivesse me tirado pra dançar
Direção8.5
Roteiro7.6
Trilha Sonora10
Atuação7.5
Inovação10
A Playlist
  • Sincronia Imagem e Som
  • Edição inovadora e Criativa
  • Grande Trilha Sonora
O Zumbido
  • As atuações não são impactantes
  • O meio do filme se perde um pouco
8.7Pontuação geral
Nota dos leitores: (1 Voto)
8.3

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